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"Todo sonho é uma derrota em potencial. Para não o realizar, basta manter-se parado. - Argus Caruso Saturnino"

sábado, 25 de junho de 2011

Andando na linha

 Estrada de Ferro Sorocabana e Estrada de Manutenção.
22/05/2011



A ideia...


Um dia vendo as fotos do meu amigo Sandro Barranco no Orkut, me deparei com essas fotos...




Fotos do Sandro num pedal com alguns amigos pela Trilha das Letras até a Ferrovia Santos-Mairinque, que fazia parte da Estrada de Ferro Sorocabana...

Mesma ferrovia que cheguei a ir com o Roger, no pedal Seguindo os Trilhos (Junho-2009)...


Fomos até o início da subida no pé da serra e não subimos, pois não tínhamos tempo e nem julgávamos ser possível fazer isso de bicicleta.

Então vendo as fotos do Sandro e de seus amigos, de bike em plena ferrovia e num ponto muito alto, muito além do que eu tinha ido, não resisti e fiz algumas perguntas a ele no orkut...

 Como você chegou até lá? É possível pedalar pela ferrovia? E por ai vai...
E não demorou para o Sandro me responder:
- Por uma trilha que sai do Pilões, e que é possível pedalar, pelo menos até onde tinham ido (até o túnel 13).

Pronto, era tudo o que queria saber!!!
Então comecei pesquisar informações e imagens da ferrovia no Google e Google Earth, e de início encontrei uma informação que me deixou mais animado a fazer um pedal pela ferrovia:

- A ferrovia tem apenas 2% de inclinação no trecho da Serra do Mar, subida mais suave é praticamente impossível! Isso é o que os números diziam; só para comparar, a também suave subida da Rodovia dos Imigrantes, tem uma inclinação máxima na Serra do Mar de 6%.

Além desses números encontrei algumas fotos (abaixo), que também me deixaram mais animado com esse possível pedal...

(Panoramio - Foto de Claudio Alves Andrade).
(Panoramio - Foto de Carlos Médice).
(Panoramio - Foto de Alex Leandrino).
Algumas das várias fotos que encontrei no Google Earth, com cachoeira, rios, vales, trens, túneis, e até esta foto de duas bicicletas na linha férrea no alto da serra... Pronto agora não tinha mais como não realizar este pedal!!! 



Os preparativos...


Com todos os ingredientes para um excelente pedal, comecei a traçar um roteiro para este passeio, e também convidei alguns amigos da região (Juscelino, Caio, Sandro e Jorge), amizades que surgiram através do fórum do Pedal.com.br e do meu blog, mas ainda não tive oportunidade de pedalar junto com eles e essa seria uma excelente oportunidade!!!

Surgiu o primeiro esboço do trajeto (em azul claro), no litoral acompanhando a ferrovia desde o Centro de São Vicente, passando por Samaritá, subindo a Serra do Mar pela mesma até alcançar os bairros do extremo sul de São Paulo, passando pelo Rodoanel, Anchieta, Interligação, Imigrantes e Estrada de Manutenção, e também existia uma rota alternativa no planalto (em azul escuro), evitando o Rodoanel e passando por um trecho da Rota Márcia Prado e Riacho Grande via Estradas do Itaquaquecetuba e do Rio Acima passando por duas balsas até chegar a Via Anchieta, mas a rota alternativa dependeria do tempo que levaríamos para subir a ferrovia.

Esse primeiro esboço apontava para um pedal de aproximadamente 150 km, 47 deles na ferrovia. Enviei esse esboço para o Sandro...

Que sugeriu um atalho pela Trilha das Letras e iniciando o pedal pela ferrovia próximo ao túnel 9, evitando passar pela Área Continental de São Vicente, ansioso e contando as horas para o pedal, nem calculei direito quanto esse atalho encurtaria o  percurso total, e também o nosso caminho pela ferrovia, imaginei algo em torno de 8 km.

Ao mesmo tempo que surgia o esboço do percurso e o atalho, ai conversando com o Sandro, Jorge, Juscelino e Caio por e-mail e mensagens pelo orkut, acertando os últimos detalhes do pedal, como dia, horário de saída e pontos de encontro...

A principio tinha combinado o Sandro, que o pedal seria no sábado (21/05), que confirmou não só a sua presença, mas como também a de seu amigo Adelso. Mas essa data não possibilitava as presenças do Jorge, Juscelino e Caio... Ambos tinham compromissos nesta data, então acabamos mudando a data para o domingo de manhã, que a princípio atendia a todos.

Contando com a presença de todos, marcamos dois pontos de encontro iniciais, um para quem mora em Santos (Sandro, Adelso e Jorge) e outro para os que moram em São Vicente (Eu, Juscelino e Caio), ambos com hora marcada para as cinco da manhã, com uma tolerância máxima de 15 minutos para a saída em direção ao segundo ponto de encontro, no Rio Pilões onde todos se encontrariam para subir a ferrovia.


A véspera...


Menos de vinte e quatros horas no início do pedal, quase tudo pronto, pois ainda faltava as confirmações do Juscelino e do Caio...

E ainda na manhã da sexta-feira, Juscelino infelizmente me avisou que não poderia nos acompanhar, pois não sairia do serviço a tempo de participar do passeio. Mas ainda faltava a confirmação do Caio, que não respondeu as minhas mensagens no Orkut, ainda tentei ligar algumas vezes para o seu celular, que dava caixa postal. De noite ainda mandei uma mensagem no orkut, dizendo a hora e o local do ponto de encontro em São Vicente, e que passaria lá mesmo sem a sua confirmação.

De noite ainda ajeitei as últimas coisas (ferramentas, lanche, pilhas,etc), estudei os mapas e fui deitar as 23h, mas a ansiedade era tanta que não conseguia dormir, e foi assim até quase 01h da manhã, última vez que olhei para o relógio, e logo após acabei pegando no sono.


A aventura...


Quatro e meia da manhã, a ansiedade é tanta que acordo cinco minutos antes de tocar o despertador, está bem escuro e um friozinho bom para continuar na cama. Que nada! Me levanto, troco de roupa, Bebo um chocolate, confiro as coisas para ver se não estou esquecendo algo, e saio de casa rumo ao ponto de encontro, pois quem sabe o Caio tenha lido meu último recado e tenha decidido ir junto...

As 05h 10min cheguei no Mc Donalds do Centro de São Vicente e infelizmente o Caio não estava lá, como ele não tinha respondido nenhuma mensagem no dia anterior, certamente ele não viria e nem esperei os cinco minutos de tolerância que ainda restavam, e segui pedalando rumo ao segundo ponto de encontro.


Ciclovia da Linha Amarela - São Vicente, as cinco e pouco da manhã.

Segui na ciclovia até a Rua Frei Gaspar, e fui pela mesma chegar ao Bairro da Cidade Náutica e  Rodovia dos Imigrantes, onde pude botar a prova os novos equipamentos de iluminação da minha bicicleta, e desta vez pedalei tranquilo e enxergando muito bem, mesmo ainda estando muito escuro. Só desliguei os mesmos ao passar pelo posto da Polícia Rodoviária, no acostamento da pista oposta (descendente), pois não queria correr o risco de ser parado e ter que dar explicações aos policiais, e correr o risco de chegar atrasado ao segundo ponto de encontro.

Polícia Rodoviária para trás, liguei novamente a iluminação e continuei em frente pela pista descendente da Imigrantes, até o acesso a Estrada dos Pilões...

Imigrantes vista da ponte sobre o Rio Pilões, as 05h 45min no segundo ponto de encontro.

Fui o primeiro a chegar ao ponto de encontro e fiquei esperando por alguns minutos, até que por volta das 06h 10min para a minha felicidade chegaram Sandro, Adelso e Jorge, da turma de Santos não houve nenhuma desistência.

Cumprimentei a todos e fui me apresentando ao Sandro e Adelso, pois era a primeira vez que os via pessoalmente, já o Jorge além das várias mensagens via fórum, blog e orkut...

Tive o prazer de conhecer e conversar um pouco com ele, durante a travessia da Balsa de Santos para o Guarujá, quando estava fazendo um passeio com meu primo Bruno "Pedal Guarujá", ele me reconheceu e veio conversar comigo, deste dia em diante até surgiram até alguns convites e oportunidades para pedalarmos junto, mas sempre havia algumas diferenças de planos que acabaram adiando até este passeio.

(Foto de Jorge)
Sandro, eu e o Jorge.
(Foto de Adelso)
Adelso, eu e o Jorge.

Após um rápido bate papo e algumas fotos, e com o dia começando a clarear iniciamos nosso pedal rumo a ferrovia pela Estradinha dos Pilões, por onde pedalamos muito pouco, pois a Trilha das Letras fica muito próxima a ponte sobre o Rio Pilões, que foi o nosso ponto de encontro.

(Foto de Sandro)
Início da Trilha das Letras, que para o Google Earth é a Estrada da Servidão...

(Foto de Sandro)
(Foto de Sandro)
Uma trilha larga, cercada mata atlântica e de subida suave...


(Foto de Sandro)
Mas com alguns trechos com terra fofa e com alguns atoleiros...


(Foto de Adelso)

E alguns trechos além dos atoleiros, também tinham muitas pedras soltas e com piso muito irregular, onde era melhor empurrar do que pedalar.


Amanhecer e a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, vistos na bacana Trilha das Letras...

Que chegando ao seu fim, bem próximo da ferrovia, vira um matagal, onde até cheguei a pensar:
"Será que não era melhor, ter ido desde o início pela Ferrovia?"

O jeito foi seguir empurrando com calma ou...

Carregando as bicicletas, na rampa final para chegar na ferrovia.

Vista da Serra do Mar e da Rodovia dos Imigrantes, no final da trilha e a beira da ferrovia.

O trecho de mata quase fechada foi muito pequeno, e não demorou para que chegássemos a...

A ferrovia Santos-Mairinque, e ver que realmente o atalho que o Sandro propôs valeu a pena!


(Foto de Adelso)
Ao chegarmos a ferrovia fizemos uma pequena pausa para descanso, bater umas fotos e repor a água das caramanholas, pois neste lugar existe uma mangueira de água supostamente potável.

E durante essa pausa, o Jorge retirou um GPS de automóvel da sua mochila, de início não achei que fosse necessário, mas depois que ligou-o, e ele indicou até a ferrovia onde estávamos, mudei completamente de ideia.



Vista da ferrovia a ser vencida e do...



Exuberante paredão verde da Serra do Mar.

Após a pequena pausa seguimos pedalando pela ferrovia, pois o dia estava lindo e ainda estávamos no início do passeio...


E começou a surgir os túneis, o primeiro para a nossa surpresa não era o nono, como o Sandro pensava ser, e sim o sétimo de um total de vinte e sete túneis, que seguem em ordem crescente conforme a ferrovia sobe a serra.


(Foto de Sandro)
Até que pedalávamos bem, só parando e empurrando em alguns trechos onde existiam alguns buracos entre os dormente, devido a falta de brita entre os mesmos, isso era muito comum principalmente nos túneis, onde todo cuidado era pouco para não levar um tombo.


Sete, oito e ao chegarmos ao túnel nove...

O dono do pedaço resolveu aparecer...

Foto tirada pelo Jorge, que estava num trecho onde a área de escape era enorme...

Já eu e o Sandro estávamos um pouco mais a frente, perto do túnel e com uma área de escape bem menor!!!???

E o nosso espaço ficou ainda menor, pois lá vinha mais um trem para nos dar as boas vindas.

(Foto de Sandro)
Esperando os donos do pedaço passar...

Eu e o Sandro nos perguntávamos: 
- Onde está o Adelso? Será que ele conseguiu sair do túnel?

Pois o mesmo seguia mais a frente, na dianteira quando os trens apareceram.

Assim que o trem que descia a serra passou por nós, voltamos a pedalar, e na saída do túnel encontramos o Adelso, que tomou um susto danado na chegada de um dos trens, pois o mesmo não buzinou para alertá-lo, mesmo estando muito próximo.



Passado os trens e o susto do Adeso e continuamos ferrovia a cima.


(Foto de Adelso)
Túnel 11 construído em 1933, os túneis 07 a 10 são de 1931.



(Foto de Adelso)
Conforme íamos subindo pedalando e empurrando...


Tendo algumas belas vista da Mata Atlântica e cruzando com este rápido veículo de manutenção (amarelinho)...


A dificuldade de pedalar foi aumentando conforme íamos passando pelos túneis, 12, 13, 14, não pela inclinação, que é muito suave e quase imperceptível... 

Mas sim pela falta de brita entre os dormentes, como pode ser visto na foto acima...


Local onde fizemos mais uma parada, para fazer um lanche, e onde o Jorge aproveitou para efetuar uns ajustes no freio dianteiro da sua bicicleta, que vinha lhe incomodando desde o início do pedal.


O local da nossa parada, foi onde Judas perdeu a bota!!!

Em algum lugar na Serra do Mar, onde já começávamos a reclamar das dificuldades de pedalar pela linha férrea, e dos vários sobe e desce das bicicletas, para mudar para outra linha, onde algumas vezes estava menos pior para pedalar, ou empurrar mesmo por falta de condições nas duas linhas.


E após o túnel 14 andamos e pedalamos por um longo trecho, na expectativa de logo chegarmos ao túnel 15, pois do túnel 7 ao 14 eram quase um atrás do outro, mas o túnel 15 nunca chegava.

E depois de um bom tempo andando avistamos...


Não foi o tão esperado túnel 15, mas sim essa estação...


De onde era possível avistar o mar e Praia Grande bem ao longe...

Ver o totó que estava tranquilão, enquanto uns doidos de bicicleta tentavam vencer a ferrovia serra a cima...


(Foto de Adelso)
Bater umas fotos, conversar com o tiozinho e o mais importante, abastecer novamente as caramanholas, pois a essa altura o passeio estava bem desgastante e quente.

A informação mais importante que o tiozinho nos deu, era que ainda tínhamos um bom trecho para andar, para chegar ao "inalcançável" túnel 15 e que depois dele era 16, 17, 18... Ah tá bom!



Veículos de manutenção (amarelinhos) e vagões adaptados para os funcionários descansar, eles tem até parabólica.



Ao lado do último vagão adaptado, novamente era possível avistar Praia Grande.

Após a parada na estação no meio da serra,  seguimos rumo ao túnel 15 que persistia em não chegar, estava até pensando que o tiozinho estava errado, e que o túnel 16 ou 17 chegaria antes do 15!

Mas pouco tempo depois de sairmos da estação, vinha pedalando bem e puxando a fila serra a cima, quando escutei um estalo vindo da minha bicicleta, pensei que tinha passado em cima de uma das várias chapas de metal que estavam jogadas pelo caminho...

Mas para o meu azar, ao olhar para a roda traseira, vi que o meu cambio estava todo torto e enroscado entre os raios, graças a um pequeno galho que enroscou numa das roldanas do cambio traseiro...


Na hora pensei no pior:
 "Já era, quebrei o cambio no meio do nada e não vamos poder continuar o passeio, que mer--!"

(Foto de Adelso)
Mas com calma, e graças um alicate dobrável e uma chave combinada que os prevenidos Jorge e Adelso levaram, pude desentortar um pouco a gancheira e o cambio com a ajuda do Jorge, o suficiente para passar a maioria das marchas, fiquei sem a opção das catracas maiores (30 e 32 dentes), mas nada que impedisse continuar o passeio.

Obs. Sempre achei que estava bem prevenido com as ferramentas que levo nos meus passeios, mas após esse incidente vou incluir mais algumas ferramentas, que não considerava tão necessárias.


Parcialmente consertada e novamente subindo a ferrovia...





Seja pedalando ou empurrando...



Como o Jorge escreveu para mim, antes de eu começar a editar o relato: 
 - E assim fomos, acho que surgiu um sentimento não declarado mas unânime, "já que começamos, vamos terminar!"

E o empurra, sobe na bike, pedala e desce para empurrar novamente, e muda para a outra linha que está melhor, e poucos metros adiante esta ruim e a outra melhor, fazendo a gente mudar novamente, descendo da bike e empurrando, subindo e pedalando e descendo...

Um ciclo que se repetia por dezenas de vezes, fazendo que o pedal não rendesse muito...

E tornando bastante desgastante, ainda mais com o Sol batendo forte nas nossas cabeças, assim que víamos uma sombra e podíamos parar um pouco, assim fazíamos.

O tão esperado e distante túnel 15, fiz festa ao vê-lo!




(Foto de Adelson)
E o tiozinho estava com a razão depois do túnel 15, vem o 16.

E na saída do túnel 16 tem essa bela e convidativa cachoeira!!!



Pena que a escadaria de acesso à mesma estava completamente cheia de limo, tornando a descida extremamente perigosa! 

Lindo poço após a cachoeira, de novo ficamos só na vontade, pois não encontramos acesso ao mesmo.




(Foto de Adelso) 
O jeito foi se contentar apenas com as fotos do local, como única lembrança.
 


Mais uma das várias composições que passaram por nós durante a subida.


Saída do túnel 18 e 19 logo à frente...


E não víamos a hora de chegar ao 27.

(Foto de Jorge)
Malditos buracos, se tivesse brita o suficiente para tapá-los, ou se fizessem uma ciclovia entre as duas linhas seria uma maravilha subir ou descer esta ferrovia, seria uma excelente opção ligando o planalto ao litoral...

Túnel 23 ficando para trás.

(Foto de Jorge)
Mas voltando a realidade, é um sacrifício bem grande subir esta ferrovia de bicicleta.

Estação Engenheiro Ferraz em completo estado de abandono.

Após o túnel 23 e a estação abandonada, começaram a aparecer grandes ribanceiras e pontilhões...

Com belas vistas de vales e dos contornos da Serra do Mar.


Vale do Rio Branco, que se estende até Itanhaém.


Adelson que mandou bem na subida da ferrovia, esteve quase o tempo todo a frente.




E o tempo era implacável conosco, já estava ficando tarde e pouco progredíamos, poucos quilômetros eram percorridos em horas, mas mesmo assim seguíamos serra acima...


Parando de vez em quando para batermos fotos, pois essa pode ter sido uma oportunidade única de conhecer este lugar,...

Para admirar a bela vista e também para esperar os que estavam ficando mais trás.

Vista de Mongaguá muito ao longe.


Ponte após o túnel 24 e riacho que fica a muitos metros abaixo.

Vamos lá pessoal, animo estamos quase chegando!!!

Ficava imaginando o que passava pela cabeça do Sandro, do Jorge e do Adelson, eles deviam estar muito loucos da vida comigo!!! Por ter colocado eles nesta fria!!!


Túnel 26 e mais uma parada, para esperar o trem passar e para mais um lanchinho patrocinado pelo Adelson, que neste quesito foi o mais preparado, desde sanduíches a pacotes de bolachas salgadas e doces.

Uma luz no fim do túnel, e essa luz estava cada vez mais próxima de acabar.


Acho que nenhum de nós tinha empurrado tanto a bicicleta antes!


Um belo cenário e o Sandro pagando de modelo.

(Foto de Sandro)
Vigésimo sétimo e último túnel da ferrovia, mas ainda tínhamos mais cinco longos e demorados quilômetros de ferrovia, para percorrer até a estação Evangelista de Souza.


Últimos raios de sol deste pedal, pois era 17h e era uma questão de minutos para começar a escurecer, e ainda estávamos na ferrovia.

Rio de águas cristalinas que fica muito em baixo desta enorme ponte das fotos anteriores.

Depois de quilômetros mais empurrando do que pedalando, chegamos a conclusão que ferrovias são para trens e não para bicicletas!


Faltando pouco para chegar a estação Evangelista de Souza e consequentemente ao fim da nossa jornada pela ferrovia, de repente uma miragem! Não, não era miragem, uma trilha ao lado da ferrovia onde enfim era possível pedalar de verdade!!!

Mas essa trilha não durou muito e logo estávamos pedalando na brita e nos dormentes da ferrovia, mas graça a Deus isso também não durou muito...

Pois logo chegamos a Estação Evangelista de Souza, e justamente na hora que escureceu de vez, as 18h.


(Foto de Adelso)
Até chegar aqui foram exatamente dez horas de ferrovia...
(Foto de Adelso)
E estávamos muito contentes de estarmos livres da ferrovia, mas ainda tínhamos um problema, voltar para casa de noite e por um caminho que não estava planejado para cortar caminho, passando por várias estradinhas de terra no extremo sul da cidade de São Paulo.

Na estação perguntamos a alguns funcionários da ferrovia, como poderíamos chegar a Rodovia dos Imigrantes? Eles nos indicaram seguir direto pela Estrada Evangelista de Souza até o Bairro Barragem, e ir até o ponto final do ônibus, na comporta e lá nos informariam melhor o restante do caminho.

Então fomos por esta estrada de terra bem larga, com os faróis e luzes traseiras ligadas, pedalando rápido até   chegarmos em uma bifurcação, ficamos na dúvida e recorremos mais uma vez ao GPS do Jorge, dúvida tirada seguimos em frente e após alguns minutos estávamos num pequeno povoado da Barragem, e não víamos a hora de encontrar um mercado ou uma padaria, pois a fome começava a apertar. Seguindo pela ruazinha principal, pois praticamente só existe ela, cercada por algumas moradias simples, bares, uma igreja evangélica, um mercado que estava fechado...

E finalmente uma padaria que também é pizzaria, simples como o lugar onde estávamos, mas era uma padaria. Encostamos as bicicletas e pedimos uns sanduíches, seis mistos quentes e dois queijos quentes, feitos com pão francês e um refrigerante 2 litros, só tinha Dolly Cola e estava bem gelada assim como a temperatura ambiente...

Os sanduíches demoraram para serem servidos, mas esse intervalo serviu para batermos um bom papo e darmos risadas de tudo o que passamos para subir a ferrovia, foi quando o Jorge sugeriu entrar em contato com o Sergius, amigo dele e membro do fórum Pedal.com.br, pois ele tem alguns contatos de pessoas que possuem perua e vans, e poderíamos fretar uma para nos buscar, "resgatar" no Rancho da Pamonha, evitando pedalarmos de noite e num horário bem avançado na Estrada de Manutenção, e nas Rodovias dos Imigrantes e Anchieta chegando na Baixada Santista, o que julgávamos ser muito perigoso...

  Todos concordamos com a ideia do Jorge, só que infelizmente não foi possível ligar para o Sergius, pois nenhum dos celulares tinham sinal, mesmo sendo de operadoras diferentes.

Finalmente fomos servidos e fizemos um bom lanche, o destaque foi a Dolly, que estava tão boa como uma Coca-Cola!

Antes de continuarmos o nosso pedal noturno, o Sandro ainda comprou duas garrafa d'água de um litro e meio, para completar as nossas caramanholas e alguns doces Teta de Nega de sobremesa. Bem alimentados e com um novo suprimento de água, estávamos prontos para continuar a nossa aventura...

Seguimos pela rua principal do vilarejo, até chegarmos a uma base da Guarda Metropolitana de São Paulo, onde conseguimos uma informação de como chegar a Rodovia dos Imigrantes, uma explicação que nos pareceu muito fácil, o que nos deixou mais animados...

Tínhamos que seguir reto por quatro a cinco quilômetros e depois virarmos a esquerda na Rua Mário Resende, e depois seguir reto até a Imigrantes, que estaria a uns treze quilômetros dali.

Agradecemos a informação e fomos nós, no que de início era uma rua asfaltada e iluminada, mas logo voltou a ser de terra, e na maior parte do caminho mal iluminada, cercada por mato e árvores, com algumas casas ou chácaras que apareciam de vez em quando, com várias subidas e descidas...

Quatro quilômetros após o posto da Guarda Municipal, surgiram algumas bifurcações ou estradinhas de terra adjacentes ao caminho que percorríamos, e tínhamos que parar e procurar alguma placa com o nome dessas estradinhas ou alguma indicação para a Rodovia dos Imigrantes, isso se repetiu por algumas vezes até completarmos quase seis quilômetros após a Guarda Municipal, sem encontrarmos a tal Rua Mário Resende.
E por algumas vezes tínhamos que parar, e o Jorge consultar o "salvador" GPS, para nos manter no rumo certo para a Imigrantes, ou simplesmente escolhíamos continuar pedalando pela estradinha que tivesse a aparência de ser a principal...

Ah se soubéssemos nos guiar exclusivamente pelas estrelas! Pois o céu estava maravilhoso, era possível ver centenas de estrelas como poucas vezes vi na vida, um verdadeiro espetáculo!

Sempre que encontrávamos alguém pelo caminho, seja caminhando, dentro de algum automóvel ou em frente a alguma casa, não perdíamos a oportunidade de pedir informações, e todas as vezes fomos bem atendidos e bem informados sobre o caminho, o que nos ajudou muito!

Mas mesmo com a ajuda do GPS e das informações que sempre se mostraram bem coerentes, enquanto não visse alguma placa indicando a Imigrantes ou visse a rodovia com os próprios olhos, sempre fiquei com uma pulga atrás da orelha! Pois pedalávamos e nunca chegávamos, sempre tinha mais uma subida, uma curva, uma bifurcação, ou algo mais...

Até finalmente aparecer uma placa indicando o caminho para a Imigrantes, matando a última pulga ou dúvida que tinha quanto ao caminho, e minutos após avistamos e chegamos em baixo da rodovia...

Isso mesmo, embaixo da Imigrantes, pois esta estradinha passa por baixo, e não possui nenhum acesso para a  rodovia. Até aí tudo bem, pois só era necessário escalarmos um barranco, mas antes tínhamos que decidir: por qual acostamento da Imigrantes a gente iria pedalar? Pelo da mão correta ou pelo da contramão?

E chegamos ao consenso que deveríamos pedalar pelo acostamento da contramão, pois se fôssemos pela mão correta, provavelmente seríamos barrados no posto da Polícia Rodoviária que fica um  pouco antes da interligação (no planalto) ou por alguma das viaturas que geralmente ficam em frente ao Rancho da Pamonha.

Então fizemos um mutirão para poder subir as bicicletas, um passava para o outro que estava um pouco acima, até a bicicleta chegar ao alto do barranco, uma de cada vez...

 Todos a beira da rodovia, desligamos todas as lanterna, faróis e luzes traseiras das bicicletas, para ser o mais discreto possível, pois não queríamos ser barrados pela Polícia Rodoviária, e tínhamos que chegar ao Rancho da Pamonha de qualquer jeito.

As lanternas de início até que não fizeram falta, pois o transito de carros carros rumo a São Paulo era muito intenso, e os faróis dos mesmos clareavam o acostamento, o mínimo suficiente para podermos enxergar algum buraco ou objeto que estivesse no asfalto.


E em questão de poucos minutos passamos pelo posto da Polícia Rodoviária e chegamos a interligação, onde tivemos que parar para atravessar a alça de acesso para quem vem da Via Anchieta pela interligação e está chegando a Rodovia dos Imigrantes, para continuarmos pelo acostamento na contra-mão...

E todo o cuidado era pouco, pois o transito era intenso, com os carros vindo na interligação a no mínimo uns 80 km/h, sem nos enxergarem direito, pois estávamos todos com os fárois apagados, tivemos que esperar uma brecha para atravessar, e quem seguiu na frente fui eu, que sai pedalando rápido, cruzei a pista e julgava estar andando sobre um trecho totalmente plano e sem obstáculos, onde só teria as faixas listradas e no máximo uns olhos de gato no asfalto (iguais a da imagem abaixo)...

Foto ilustrativa - faixas listradas e olhos de gato.

Quando de repente a roda dianteira da minha bicicleta bateu em algo, e acabei sendo ejetado da bicicleta caindo num gramado, que amorteceu a minha queda, só causando alguns pequenos arranhões no cotovelo.
O meu tombo fez todos que vinham atrás pararem de imediato, evitando que mais alguém colidisse com a mureta de concreto de uns trinta centímetros de altura, que existe no local e não era visível sem a utilização de um farol ou lanterna.

Ilustração - local do tombo.

Passado o tombo e o susto, seguimos pedalando pelo acostamento e em menos de cinco minutos estávamos chegando ao Rancho da Pamonha, e avistamos duas viaturas da Polícia Rodoviária bem em frente ao rancho, do outro lado da pista (sentido litoral), e bem em frente de onde teríamos que sair do Rancho, para seguir em direção a Estrada de Manutenção, caso não conseguíssemos uma van para nos buscar.

Imagem ilustrativa Rancho da Pamonha.

Quando chegamos ao Rancho da Pamonha eram aproximadamente 22h 10 min, mas tínhamos esperança em conseguirmos falar com Sergius, para que ele nos arrumasse uma van para nos buscar. Mas para o nosso azar só dava caixa postal, o Jorge ainda ligou por várias vezes para a sua esposa, que estava ligando para várias pessoas, tentando conseguir uma perua ou van para nos buscar no Rancho da Pamonha.

Rancho da Pamonha, Jorge em contato por telefone com a sua esposa.

(Foto de Adelso)
Mas após vários minutos e várias ligações sem sucesso, tínhamos que encarar os nossos receios e temores, e descer a Estrada de Manutenção para volta para a casa...

Mas para isso tínhamos que pedalar por mais dois quilômetros no acostamento da pista ascendente da Imigrantes, para chegar ao acesso da Estrada de Manutenção, porém bem na nossa frente e do acesso a rodovia e do outro lado da pista, tinham duas viaturas da Polícia Rodoviária, que se nos vissem poderiam mandar a gente parar e não nos deixar seguir adiante.

Pouco após as 22h 35 min a lanchonete do Rancho da Pamonha fechou, e logo em seguida apagaram-se as luzes, nos deixando na maior escuridão, e que nos propiciou a oportunidade de pedalarmos bem rápido em direção a Imigrantes e não sermos vistos pelos policiais...

E foi o que fizemos e saímos pedalando bem rápido em direção ao acesso da Estrada de Manutenção "Manú", seguia um pouco mais atrás junto com Jorge enquanto o Sandro e o Adelso iam a frente...

Alguns minutos depois percebi que estávamos passando pelo acesso da Manú, e disse ao Adelso:
- Não era o acesso ali atrás? Passamos do acesso!
E ele respondeu:
- Fica tranquilo, que tem outro acesso mais a frente.

Meio que desconfiado continuei seguindo o Sandro e o Adelso, e comecei a ver as luzes do litoral, e também percebi que a pista estava com um leve declive, indicando que estamos descendo e provavelmente próximos do último túnel, o número onze da pista ascendente.

Antes disso o Sandro parou em um lugar, que segundo ele dava acesso a Manú, era uma escada hidráulica com degraus muito altos, ao lado da estrada, onde teríamos que descer, mas estava com muita sujeira (mato, galhos e provavelmente muito limo)...

Então seguimos em frente à procura de outro acesso, até chegarmos ao local que eu temia, o último túnel da pista ascendente, onde não poderíamos mais seguir adiante, pois os túneis possuem várias câmeras de monitoramento, e não demoraria muito para sermos barrados durante a descida, isso se sobrevivêssemos aos primeiros dos onze túneis que existem na pista ascendente...

Pois dentro deles não existe acostamento, apenas uma calçada muito estreita, onde ficaríamos espremidos entre a parede do túnel e os veículos que vêm na faixa da direita e em sentido contrário ao nosso, o que seria  loucura!

Por alguns instantes fiquei decepcionado e inconformado com esta opção, de não seguir pelo acesso principal da Manú, pois tínhamos chegado a um "beco sem saída", onde só teríamos perdido tempo, só nos restando voltar os dois quilômetros que percorremos do acesso principal até ali.

Desanimados iniciamos o caminho de volta ao acesso principal a Manú, com poucos metros pedalados, percebi que haviam alguns blocos de concreto do outro lado da pista (foto ilustrativa abaixo), para impedir o acesso aos veículos a algum lugar...

(Blocos de concreto - foto Ilustrativa)

Podia ser um acesso para a pista descendente, onde sabíamos que dá para chegar na Manú, esperamos uma brecha para atravessar a pista e passamos pelos blocos, mas o asfalto acaba logo após os mesmos, e depois existe um barranco ou rampa bem alta, inclinada e com grama, separando-nos da pista descendente que estava bem mais abaixo, e até era possível ver o acesso para a Manú. Neste barranco tem uma canaleta de concreto larga que desce suavemente em ziguezague até a metade do caminho, aparentando não ser possível descer o restante até a outra pista...

Que até pensei " Tão perto e ao mesmo tempo tão longe", pois podíamos ver o acesso, mas não podíamos chegar até lá...

Mesmo assim eu e o Sandro decidimos ver se era possível descer o restante do barranco, pegamos as lanternas das bicicletas e descemos a pé, enquanto o Jorge e Adelso nos aguardavam lá em cima...

Ao final da canaleta de concreto, encontramos uma escada hidráulica, construída para escoamento de águas pluviais, a mesma possui vários degraus bem altos, aproximadamente um metro de altura por um metro de comprimento cada um, e o final da escada chega a beirada da pista descendente, com certeza era a nossa melhor opção naquele momento...

Subimos e contamos a descoberta ao Jorge e o Adelso, que concordaram em tentar descer a escada hidráulica...

Ao chegarmos a escada, percebemos que as bicicletas mal cabiam nos degraus, mesmo deixando-as na diagonal, tínhamos que tomar muito cuidado para não cairmos, e nem deixarmos as bicicletas irem escada abaixo. Então fomos descendo degrau a degrau, um ajudando o outro a descer as bicicletas, como tínhamos feito na subida do barranco para chegar a Rodovia dos Imigrantes, e assim descemos todos os degraus até chegarmos a mureta de proteção da pista descendente da Imigrantes...

Escada hidráulica que utilizamos para chegar a pista descendente. 
Foto tirada em 24 de Junho de 2011.

Onde seguimos por mais ou menos cem metros, ficando bem a frente ao acesso da Manú, pulamos a mureta e atravessamos a pista, e finalmente estávamos na Estrada de Manutenção.


Imagens ilustrativas do local onde improvisamos o acesso para a Estrada de Manutenção.

Já passei algumas vezes pela Manú (Dez 2006, Jun 2010 e Dez 2010), mas nunca de noite, dando um ar de novidade e um toque especial na descida da serra.

Iniciamos segurando um pouco o ritmo da descida para evitar tombos, pois achávamos que o asfalto poderia estar um pouco molhado pelo sereno da noite, mas para a nossa surpresa o asfalto estava muito seco, e aos poucos fomos nos soltando e fomos descendo mais rápido...

E tudo conspirava a nosso favor na descida da Manú, até o friozinho que passamos depois que escureceu, sumiu por completo na Manú, estava um arzinho quente e bem agradável.


Adelson e Sandro seguiam na dianteira, eu e o Jorge, descíamos um pouco mais atrás passando por baixo dos viadutos da Imigrantes, contornando as curvas e apreciando a bela visão das luzes da Baixada Santista...

Pena que a nossa pressa de chegarmos as nossas casas e alguns receios que tínhamos, não nos deixaram curtir melhor a descida, e também batermos mais fotos, mesmo assim foi muito bacana descer a Manú nestas condições.

E por volta da uma da manhã, saímos da Manú e chegamos a balança da Rodovia dos Imigrantes, onde acessamos a Rodovia dos Imigrantes por onde seguimos todos juntos até o viaduto estaiado, onde me despedi dos meus companheiros de passeio, pois Sandro, Jorge e Adelso seguiram pela interligação e Via Anchieta rumo a Santos, enquanto eu continuei pela Rodovia dos Imigrantes até São Vicente.

Todos graças a Deus chegamos sem nenhum problema as nossas casas, eu  fui o primeiro a uma e meia da manhã, Adelso por volta das duas horas, o Sandro e o Jorge foram os últimos a chegarem, por volta das duas e .... da manhã.



Lições aprendidas:


  - Sempre que sair para um passeio com qualquer margem extra de imprevisto, vá equipado:
leve ferramentas, peças, bastante alimentos, água, faróis, pilhas e baterias, tudo que for possível, pois nunca se sabe quando e onde pode precisar!

 - Se for em grupo seria bom se as pessoas tiverem diversos celulares de diversas operadoras, pois as áreas de cobertura podem variar, e assim poderão manter contato

- O mar é dos peixes, o céu é dos pássaros, e as ferrovias... deixemos para os trens!



OS INTEGRANTES DESTA AVENTURA ADVERTEM:

NÃO RECOMENDAMOS A NINGUÉM TENTAR REFAZER ESTA AVENTURA!!!


Pois fizemos coisas que são contra qualquer recomendação de segurança:
Andamos por quilômetros sobre a linha de trem, assim como pedalamos apagados e pela contramão da Rodovia dos Imigrantes, correndo o risco de sermos atropelados, para 
não sermos barrados e improvisando acessos para cortar caminho, e evitar a parte de terra com subidas e depois aquelas fortes descidas...
...
Sim era tarde, e queríamos voltar logo, mas cada uma que fizemos!


Também vale salientar que demos muita sorte, pois a temperatura durante o dia estava amena, devido à época do ano, e por não ter chovido antes e nem durante o passeio, assim caminhamos e pedalamos no seco, tanto na ferrovia, nas estradinhas de terra e na Estrada de Manutenção, o que nos ajudou a não tomarmos tombos mais sérios!

E por estarmos muito bem equipados coletivamente: ferramentas, acessórios e suprimentos (água e alimentos). Isso devido as nossas experiências adquiridas em passeios e viagens anteriores. 

Por esses e outros motivos, pedimos que evitem fazer este passeio. Mas se vierem a faze-lo, que estejam muito bem preparados, equipados e cientes dos riscos, para que não tenhamos más notícias e relatos de incidentes envolvendo pessoas, que tomaram a iniciativa baseados neste relato. O que nos deixaria muito tristes.



Mapa do Passeio:

Números Finais:


               Santos (Adelso e Jorge)           São Vicente (Eu)
Total pedalado:            108  / 118 Km                            96 Km
Tempo total:                21h / 21h 30min                       20h 30 min

Tombos:     03 (Jorge, Adelso e Vinícius).
Problemas: 02 (V-brake: Jorge  e  cambio traseiro e gancheira: Eu).



 Agradecimentos:    


Aos meus amigos Adelso, Jorge e Sandro:
- Por terem aceito a ideia de fazer este pedal, pelo  espírito de equipe e pela união em todo o passeio, que fez vencermos todos as dificuldades e obstáculos que surgiram. 
 - Pela ideia de iniciarmos a subida da serra pela  trilha das letras, o que nos poupou andar por mais 14 km de ferrovia. 
- Pelas fotos que eles tiraram e ajudaram a retratar melhor o passeio, e também pela ajuda na edição e revisão do relato.


A Deus e aos nossos anjos da guarda, pois apesar de todas as dificuldades, nada mais grave aconteceu conosco, e sempre encontrávamos uma saída para os problemas que surgiam.


E a todos que visitam e acompanham o blog, e aos que tiveram a paciência de ler o relato até o fim.