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"Todo sonho é uma derrota em potencial. Para não o realizar, basta manter-se parado. - Argus Caruso Saturnino"

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pedalar feliz na "melhor idade".

Texto retirado do Blog de Waldson Gutierres (Antigão),
grande exemplo para nós amantes do pedal e do cicloturismo.


BREVE SOLILÓQUIO NO JARDIM DAS TULHERIAS


O que quer este menino a andar de bicicleta,
senão lembrar-me do que fui? Senão, tonto de
                                                           [ riso,
entre pombos e pardais no chão ensolarado,
                                                  [ fingir-me?

Não aceito o ter sido. Nem me quero menor
no coração que guardou o assombro e a fábula
de tudo o que viveu como um sonho escondido.

Os dias me cobraram o que era infinito.
E, se agora persigo o pedalar do menino,
é porque sei que sou o final do seu riso.

De "Poemas dos Cinqüenta Anos"
Autor: Alberto da Costa e Silva.

 
Comecei o texto com uma poesia, porque não deixa de ser poético pedalar aos sessenta anos.
É poético saber que enquanto os anos vão se somando a gente vai se sentindo mais próximo das coisas mais simples e prazerosas da vida.

Um dia eu li que "Ficar velho é obrigatório, crescer é opcional".
Pode-se dizer que passei uma boa parte da minha vida correndo atrás de coisas que eu não precisava. Talvez naquela época eu só quisesse mostrar que eu podia, que eu tinha, que eu era capaz.

Hoje sei que estava enganado, que viver é muito mais simples e mais poético. Pedalar é simples, por isso eu gosto.

Pedalar é atravessar os campos, as cidades, conhecer novas pessoas, rir ou chorar com elas. Pedalar é parar para admirar uma flor e poder fotografá-la. Pedalar é olhar através das montanhas e sentir a incomensurável obra do Criador, é andar na areia da praia, sem receios, sem mistérios, desprovido do mau humor que ás vezes nos acomete.

Aos sessenta anos, muitas vezes quando parecemos olhar distante estamos enxergando por dentro de nós, como num grande espelho. Enxergamos os nossos sonhos. Sim, é preciso ter um sonho mesmo aos sessenta anos! Quando você para de sonhar, você invariavelmente morre. Infelizmente há tantos mortos-vivos por aí!...

Fico pensando... se eu não pedalasse, o que seria de mim hoje? Ah, não consigo e nem quero imaginar! Pegar a minha bicicleta e sair por ai me deixa muito feliz.
Quero continuar absorvendo os doces aromas das estradinhas vicinais, o cheiro do gado, das frutas e do mel. Prefiro observar as chaminés fumegantes das casas simples de sítios e fazendas, exalando aquele cheiro inconfundível de hora de almoço ou de jantar, nem que para isso as minhas pernas tenham que doer um pouco, que eu tenha que por pano molhado na cabeça, sob o sol escaldante. Pensando bem, quando estou pedalando até o cheiro do asfalto me faz bem.

Já tenho sessenta, portanto não preciso mais correr atrás do tempo. Quero curtir a liberdade, quero apenas sentir o ar fresco das manhãs vindo de encontro ao meu rosto, enquanto eu pedalo suavemente, sorrindo, sonhando vivíssimo com o amanhã. Quero continuar agradecendo ao meu Criador pela oportunidade de ser feliz. Quero continuar a ser aquele menino que pedala pelas ruas ensolaradas afugentando pombos e pardais. Afinal, eu só tenho sessenta anos.

Antigão.




Obrigado Grande Waldson, por ter autorizado a reprodução do seu texto, desejo muitos e muitos anos e km's de pedal para esse menino, que nos trás felicidade e nos emociona com belos relatos.

Grande abraço e até +


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Uruguaio desenvolve bicicleta feita com garrafas PET

As garrafas PET podem ter diversos destinos melhores que os lixões ou aterros sanitários. Prova disso é a criação do artista plástico uruguaio Juan Muzzi, que desenvolveu um jeito de transformá-las em uma bicicleta.

A técnica desenvolvida pelo artista, que está no Brasil há 40 anos, é capaz de fazer um quadro de bicicletas em apenas dois minutos. Para conseguir o resultado final são necessárias 200 garrafas plásticas. Os resíduos passam por um processo de trituração, viram pó, são misturados a outros elementos químicos, e então vão para uma injetora. Ao sair do molde a peça já está pronta.

O inventor garante a qualidade do equipamento dando dez anos de garantia e explica que, por ter baixos custos durante o processo de fabricação, uma bicicleta feita com material reciclado pode ser vendida por metade do preço de uma comum. Além da resistência, o material também é muito flexível, por isso não necessita de amortecedores.

Muzzi ainda não sabe como fará para conseguir uma grande quantidade de garrafas PET, mas pretende firmar parcerias com outras empresas para que seja possível aumentar a quantidade de produção e tornar o equipamento mais comercial.
Texto: http://www.ciclovivo.com.br/ , com informações da Globo.com


Video: Globo / Bom Dia Brasil





Resumo do mês de Setembro - 2010

Já faz quase um mês que não escrevia algo no blog, pena que ainda não seja um relato de outro passeio, pois só deve acontecer daqui a alguns dias, e ainda estou estudando algumas opções de roteiro.

No mês de Setembro fiz um único passeio, para a hoje centenária Vila de Itatinga, Bertioga - SP, um verdadeiro património histórico e ecológico da Baixada Santista, com destaque também por uma breve passagem pelas Ruínas do Guaíbe e pela Praia Branca, ambas no extremo nordeste da Ilha de Santo Amaro, Guarujá - SP, com acesso ao lado da balsa para Bertioga.

Números de Setembro:

Total pedalado:              808 Km (25 dias)
Passeios Significativos:   1
Acidentes:                        1 **
    

** No dia 29 de Setembro, quase 09hs da manhã, estava seguindo rumo ao Canal 2 em Santos, um pouco atrasado para o serviço que tinha agendado, então estava pedalando um pouco mais rápido do que o costume, quando cheguei na Avenida Prefeito José Monteiro em São Vicente, para a minha sorte estava bem pouco movimentada e com um suave declive, cheguei facilmente aos 30 km/h, até que de repente surge por de trás de um carro estacionado a menos de 3 metro de distância, um cachorro grande e preto...

E instintivamente travei os freios dianteiro e traseiro, mas devido a pouca distancia não tive como parar, e só consegui aliviar um pouco o impacto da roda da frente com cachorro, e mesmo assim foi bem forte, e institivamente também coloquei os pés no chão, evitando minha queda, porém elas ficaram um pouco a frente, e a inércia tratou de fazer o resto...


Cicatrizes após a remoção da graxa da corrente e pedivela. 

O pedivela chocou-se na minha perna, na hora fiquei com tanta raiva do cachorro, que só percebi as cicatrizes quando comecei a pedalar novamente, por sorte e também por puro reflexo de frear prontamente, consegui evitar um tombo, onde poderia ter me machucado mais do que isso.

E o cachorro? Esse saiu numa disparada tão grande e ganindo sem parar!!! Quando olhei novamente para vê-lo, já estava a uns 100m de distância e ainda em disparada.


Abraço e obrigado a todos pelos acessos ao blog.