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"Todo sonho é uma derrota em potencial. Para não o realizar, basta manter-se parado. - Argus Caruso Saturnino"

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Vale do Rio Branco

Itanhaém
18/06/2011


Período de molho...


Após o ultimo pedal "Andando na Linha", fiz uma pausa de três finais de semana, para ficar mais tempo com os meus filhos e com a minha esposa, que ficou meio emburrada comigo por ter ficado o dia inteiro fora de casa e pedalando, e mais ainda pelo horário que cheguei.


O local, a pesquisa e os convites...

E com a proximidade do quarto final de semana, entrei contato com os meus companheiros da última aventura e mais alguns amigos que não puderam ir no último pedal. 


Propus a eles um pedal por uma estradinha de terra no Vale do Rio Branco em Itanhaém, lugar que pudemos visualiza-lo ao longe quando estávamos subindo a ferrovia (foto abaixo), e que iríamos de carro até o Centro de Mongaguá de onde iniciaríamos e concluiríamos o pedal.


Vale do Rio Branco visto da Ferrovia Santos-Mairinque. 


Já tinha pesquisado sobre este lugar a alguns anos, quando ainda pedalava junto com Roger, mas por falta de uma data em comum, não chegamos a fazer esse pedal.

Nas pesquisas fiquei sabendo que a estrada segue vale a dentro, acompanhado o sinuoso Rio Branco até uma aldeia indígena, e sabia também da existência de um poço para banho e de uma grande cachoeira nas proximidades da estradinha, mas sem saber o local correto desses lugares, e do grau de dificuldade para chegar a eles.

Dos convites que fiz, algumas pessoas infelizmente infelizmente responderam que não poderiam ir, devido compromissos na data programada, foi o caso do Jorge e do Juscelino.

De início tinha a confirmação que mais quatro pessoas participariam do pedal:
O Sandro e o Adelso que me acompanharam na ferrovia, o Gustavo que é amigos deles, e que também possui um blog (Tuinho Adventure), e recentemente eu tinha trocado algumas mensagens com ele pela internet, mais um outro amigo que não lembro o nome...

Como no meu carro só é possível levar três bicicletas, então tínhamos que ir em dois carros.

Enfim chegou o dia...


Depois de umas poucas horas de sono, não que eu tenha ido dormir tarde, pois fui me deitar antes das 23h, mas a tal ansiedade que sempre aparece na véspera de algum pedal, não me deixou pegar no sono até a 1h da manhã...

Então as seis e pouco da manhã lá estava eu de pé e pronto para mais um passeio, coloquei a bike e demais coisas no carro e parti para o ponto de encontro, onde encontrei o Adelso que foi o primeiro a chegar, ele veio pedalando e iria no meu carro, enquanto o Sandro, o Gustavo e mais um amigo deles, iriam em outro carro, que só chegou uns quinze minutos depois...


E nele só estavam o Gustavo e o Sandro, pois o amigo acabou desistindo em cima da hora, como estamos em quatro resolvemos ir todos no mesmo carro, já que o do Gustavo dava para levar as quatro bikes.

Adelso, Gustavo, Sandro e eu antes de pegar estrada.

Seguimos de carro sentido Mongaguá, seriam aproximadamente 30 minutos de carro até lá, mas quando estávamos chegando, o Gustavo sugeriu seguirmos de carro até Itanhaém, o que nos economizaria uns 35 km de pedal na rodovia (ida e volta), e assim aproveitaríamos melhor o tempo na estradinha de terra e no que encontrássemos próximo a ela.

Todos aceitaram a sugestão, então iniciamos o nosso pedal próximo ao Centro de Itanhaém, e pedalamos em direção a Rodovia Padre Manoel da Nóbrega, onde resolvemos seguir por uma avenida marginal, pois o transito é menos intenso, e com menos de cinco quilômetro de onde iniciamos o pedal chegamos a ..

Avenida Cabuçu, por onde seguimos por mais 2,5km até chegarmos a Rodovia Cel. Joaquim Branco...

Onde logo de início fomos recepcionados por este grande animal.

Até o início da rodovia seguimos quase todos juntos, só eu que vinha um pouco mais atrás, devido não conseguir acompanhar o ritmo dos demais.

Mas com o asfalto em excelente estado, com longas retas e pouquíssimo trafego de veículos, o Gustavo e o Adelso seguiram pedalando num ritmo muito rápido, então percebi que o Sandro acabou diminuindo o seu ritmo, para que eu não ficasse muito para trás e completamente sozinho.


Rio Aguapeu

Seguindo pela estrada rumo ao Rio Branco.

Casa a beira da estrada

Em um certo ponto o Adelso parou para tirar a jaqueta, pois o Sol estava forte e estava começando esquentar um pouco. O Gustavo também parou para esperá-lo, foi quando eu e o Sandro os alcançamos...

Mas enquanto o Adelso guardava a jaqueta na mochila...

Eu, o Sandro e Gustavo continuamos a pedalar, e novamente fiquei para trás, enquanto o Sandro acompanhou o forte ritmo do Gustavo.

Adelso que demorou um pouco para guardar a jaqueta ficou por último, mas logo me alcançou e seguiu um pouco a frente, e assim como o Sandro fez antes, ele diminuiu o seu ritmo para não me deixar muito para trás.

Comparando o nossos ritmos de pedalar com automobilismo, o Gustavo é uma RBR, o Adelso uma Ferrari, o Sandro uma McLaren e eu um Formula Truck!!!



E após quase dez quilômetros pedalando na estrada asfaltada, chegamos ao Rio Branco, onde o Gustavo e o Sandro estavam nos esperando, pois lá o caminho se divide em dois...

Seguindo reto e atravessando a ponte, rumo a Fazenda Mambu. 
 ou
Pela direita e acompanhando o Rio Branco vale a dentro.

Como eles não sabiam o caminho, pararam para nos esperar e assim reagrupamos novamente.

Ponte antiga sobre o Rio Branco.

Construção de barragem no Rio Branco, próximo a ponte.

Após alguns minutos parados, onde batemos algumas fotos e conversamos um pouco, seguimos pela direita...

Acompanhando o Rio Branco vale a dentro.

Observação: nas fotos panorâmicas, clicar nas mesmas para melhor visualização.



Um vale repleto de plantações de banana...



Cortado por alguns pequenos riachos de águas cristalinas...


E com o sinuoso e belo Rio Branco.

Sequência de grande poças d'água no caminho.

Rio Branco novamente se mostrando muito sinuoso...

E as grandes muralhas verdes ao fundo...

Mais o lindo dia ensolarado e com o céu azul, ingredientes perfeitos para pedalar!!!

Para não dizerem que estou exagerando quanto a sinuosidade do Rio Branco, resolvi acrescentar uma imagem do mesmo no Google Earth...

(clique na imagem para melhor visualização)
O rio está logo a esquerda do traço vermelho, que indica a estradinha onde pedalamos. Nesta imagem também é possível ver o relevo das serras que cercam o vale.

E na estradinha de terra, o Gustavo e o Adelso tomaram novamente a dianteira e pedalaram num ritmo forte, enquanto eu e o Sandro pedalávamos mais devagar e parávamos para bater fotos do caminho.

E quando chegamos neste local onde existem algumas casas na beira do caminho, encontramos o Adelso que já nos esperava a alguns minutos, enquanto o Gustavo seguia muito adiante de nós.

Sandro relaxando em frente a sua casa de campo, só faltou a rede para tirar uma soneca!


Após uma breve parada em frente as casas, voltamos ao pedal em busca da cachoeira ou algum ponto do rio onde fosse possível banhar-se, isso se tivéssemos coragem de entrar na água, pois provavelmente estaria muito gelada!

Bananeiras...

Bananeiras...

E mais bananeiras...

Milhares e milhares de bananeiras.


Devido a grande quantidade de plantações de banana, o Vale do Rio Branco também é conhecido como Vale das Bananas.


Pequeno trecho da estrada onde a vegetação fica um pouco mais fechada, mas logo em seguida...


(foto do caminho percorrido, olhando para trás)
O lado esquerdo se abre novamente, onde é possível ver o rio e admirar os contornos da imponente Serra do Mar ao fundo.

Ao chegarmos próximo desta casa abandonada com um riacho ao lado, voltamos a encontrar o Gustavo, que de tanto esperar-nos já estava retornando após uma visita a aldeia indígena, com direito a almoço e uma informação sobre como chegar a cachoeira...


Mais um riacho com águas cristalinas.


Mas essa informação não estava muito detalhada, e após alguns minutos procurando o acesso sem encontra-lo...

Resolvemos seguir para o final da trilha e conseqüentemente a aldeia indígena.


Aldeia Guarani do Rio Branco...

Por onde não paramos na ida, e continuamos pedalando em frente no restante da estradinha...

Que logo virou uma trilha estreita...



Terminando poucos metros a frente no Rio Branco.



Onde fizemos uma pausa para fazer um lanche, e também para servirmos de lanche aos milhares de borrachudos!

Após a nossa contribuição ao meio ambiente, pois alimentamos muito bem os borrachudos! 
Seguimos de volta a aldeia guarani, onde paramos para conversar com algum índio, para obter uma dica melhor para encontrar a trilha para a cachoeira.

Além da informação sobre a trilha para a cachoeira, também conseguimos umas informações sobre a trilha que sai da aldeia, e sobe a serra até Evangelista de Souza. O índio foi tão prestativo e simpático conosco, que até nos convidou para em uma nova oportunidade fazermos esta trilha que sobe a Serra do Mar. 
Observação:  Essa trilha não dá para ser percorrida pedalando, só é possível ser feita caminhando. E ela leva ao túnel 25 da ferrovia que percorremos no pedal anterior.

As informações do índio nos levaram de volta...

A casa abandonada a beira do riacho...

E ao lado da casa tem um bananal, e no meio das bananeiras... 

Inicia a trilha que leva a cachoeira...

Onde tivemos que atravessar o riacho...


E empurrar as bikes mata a dentro, até chegarmos a...




Esse lindo poço, que só as imagens falam por si e dispensam comentários!!!

Apesar desse poço ser um belíssimo local para banho e contemplação, ainda faltava um grand finale, a tão esperada cachoeira.
E a trilha continuava a direita do poço com uma íngreme subida, ruim para subir carregando as bikes.

Enquanto decidíamos se deixaríamos as bikes escondidas no mato? E aonde poderíamos esconde-las? O Gustavo foi subindo o barranco com a bike nas costas e tomou a dianteira em busca da cachoeira.

Então encontramos um local para esconder as bikes, e ainda fizemos uma camuflagem com algumas folhas, e seguimos trilha a dentro em busca do Gustavo e da cachoeira.

Vista do poço subindo o barranco na continuação da trilha.

No meio da trilha, o Sandro resolveu desistir de continuar até a cachoeira, e acabou voltando para o poço onde nos esperou até retornarmos da cachoeira, e tomou conta das bicicletas. 
Não sei se ele achou que faltava muito para chegar na cachoeira, e talvez ela não valesse o esforço, ou se ele ficou preocupado com as bicicletas? 

Então seguimos adiante pela trilha...

Com o Adelso tendo dificuldade toda vez que tinha que cruzar o riacho, pois a sapatilha escorregava muito e ele tinha que dar uma de equilibrista nessas horas.

Quando estávamos bem perto de chegar a cachoeira, finalmente encontramos o Gustavo, ele foi até a cachoeira e já estava retornando... 

O cara é um The Flash!!!

E finalmente após alguns minutos trilha a dentro, fomos recompensados com esta bela cachoeira!

Nas pesquisas que fiz essa cachoeira aparece como Cachoeira das Três Quedas, mas até onde chegamos só vimos duas quedas, talvez mais para cima exista mais uma queda, mas isso só descobrirei quando voltar até lá novamente. 


Fotos da queda inferior.

Queda inferior vista de cima.

Olha como o Adelso ficou pequenininho! (canto direito da foto). 
Vista do alto da queda inferior da cachoeira.

Agora foi a minha vez de ficar pequenininho em comparação as duas quedas da cachoeira.

Queda superior da cachoeira.

E mesmo com a água extremamente gelada, resolvi não desperdiçar a oportunidade e tomei um bom banho de cachoeira, no primeiro minuto quase congelei, mas depois que acostumei com a temperatura foi só alegria!!!

O Adelso não teve coragem de entrar na água gelada, e ficou só com as fotos como recordação, mesmo assim estava muito contente.

O banho de cachoeira estava muito legal, mas já era um pouco tarde e tinha horário para voltar, pois a minha filha iria dançar quadrilha na festa junina da escola, e além disso o Gustavo e o Sandro estavam nos esperando.

Então eu e o Adelso voltamos pela trilha até o poço, onde estavam as bicicletas e onde só o Sandro nos aguardava...

Pois o Gustavo mais uma vez saiu na frente.

Sandro e Adelso na trilha para voltar a estradinha.


Alguns troncos e galhos de árvore, que dificultaram um pouco a nossa passagem pela trilha...

Mas nada que nos impedisse e desanimasse de conhecer este belo local.

A volta para onde deixamos o carro foi num ritmo mais rápido do que na ida, pois não fizemos paradas para  fotos até chegarmos a construção da barragem...

Eu e o Sandro só fizemos uma parada para repor a água das caramanholas e matarmos a sede. Adelso estava mais a frente, pois seguiu num ritmo mais forte.

Construção da barragem e fim da estradinha de terra, local onde o Adelso estava nos esperando, e também onde compramos uns chup chups ou geladinhos, sacolés, gelinhos, e por ai vai dependendo da cidade ou região do  Brasil.

A essa altura já estava meio cansado, devido a falta dos pedais durante a semana e longa pausa do último pedal, além disso em boa parte do percurso da ida e da volta, acabei pedalando num ritmo acima do que estou acostumado a pedalar, para tentar acompanhar o ritmo dos demais...

Com isso acabei ficando muito desgastado, mesmo percorrendo uma distância relativamente curta comparado a vários passeios que fiz anteriormente...

E quando chegamos ao asfalto, e poderia pedalar bem mais rápido do que na estradinha de terra, faltou-me pernas para isso...

E com isso o Sandro e o Adelso iam se distanciando de mim, e quando percebiam que estavam ficando bem longe, eles reduziam o ritmo para que eu pudesse encostar novamente...




Por duas vezes eles tentaram com que eu ficasse na roda deles, o que surtia efeito durante alguns minutos, onde conseguia pedalar um pouco mais rápido, mas devido o cansaço aos poucos ia me distanciando da roda da bicicleta do Adelso e acabava ficando para trás.

Só agora é que nos avisam!!!

Quando saímos da estrada e entramos na Avenida Cabuçu, ai o cansaço bateu de vez em mim e não conseguia pedalar a mais de 16/17 km/h...

E o mesmo espírito de companheirismo da ferrovia falou mais alto! 
O Sandro e o Adelso reduziram também o ritmo e me acompanharam de perto por toda a Avenida Cabuçu, marginal da Rodovia Padre Manoel da Nóbrega...

E pelas Avenidas de Itanhaém, até chegarmos onde estava estacionado o carro, e onde o Gustavo nos esperava a mais de uma hora.

Bikes devidamente arrumadas no carro...

Demoramos um bom tempo para sairmos de Itanhaém, pois ficamos por pelo menos meia hora batendo um bom papo antes de iniciarmos a volta para casa.

No geral o passeio foi muito legal, pena que não pudemos aproveitar mais a cachoeira, devido a pressa para voltar para casa, também por não estar muito calor e a água estar extremamente gelada! 


Mapa do Passeio:




Números do Passeio:

Total pedalado:   62km
Tempo total:        9h 30min (pedalado, paradas e viagem de carro)
Baixas:                Nenhuma
Tombos:              Nenhum
Custo Médio:      R$ 25,00 (Rateio combustível + lanche)

5 comentários:

  1. sem comentarios vini,como sempre minucioso e perfeito nas imagens!

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  2. Vini adorei o passeio, vamos marcar outros. Não se preocupe comigo, cada um deve pedalar no seu ritmo, dias que eu estou cansado, também deixo os outros seguirem na frente. O importante é a curtição, acho que todos saíram muito satisfeitos neste trajeto, abraços !!!

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  3. Fala vini-sv,
    Valeu por mostrar pra gente que o litoral sul também tem muita beleza e natureza! É só pedalar até lá!

    PS: Haja bananeira! ahahahaa

    Abraço, Rogerinho.

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  4. Lindíssímo passeio, Vini! Parabéns á equipe! Caramba que coragem tomar um banho de cachoeira com uma friaca dessas!

    Grande abraço e não nos deixe de premiar com esses belos relatos e excelentes fotos!

    Antigão.

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